sábado, 18 de agosto de 2012



Vozes sem Rumo

     A rua, é o palco de sua vida, é a sua casa. Não deveria ser, mas já, que o destino o submeteu a viver essa história, ele precisa aceitar e continuar. A estória situa-se nas ruelas de Salvador, Bahia. A personagem principal é Romualdo, um menino pobre, sem família, sem escrúpulos, sem muita expectativa de vida. Romualdo tem treze anos e é moreno, estatura de mais ou menos um metro e meio, olhos negros como a noite.    Romualdo estuda numa escola pública de Salvador e só vai à escola porque ela fica perto de sua casa, aproximadamente quatrocentos metros. Ele mora na rua, numa casa abandonada que antes era de um senhorzinho que morrera há dois anos.  Sua casa é toda despedaçada, as paredes, que são de madeira, estão podres e os cupins ajudaram a destruí-la.  Quem olha de fora não vê isso como uma casa. Ele praticamente mora na rua, a diferença é que ele tem proteção contra a chuva.   Romualdo ganha a vida pedindo dinheiro nas sinaleiras. Ele consegue mais ou menos vinte reais por dia e consegue uma pequena ajuda do governo. Romualdo é um menino determinado e esperto, mas, como dito antes, ele não tem muita expectativa de melhora de vida. A rotina dele se baseia em ir para a escola de manhã, voltar, parar na sinaleira e pedir seu dinheiro do almoço. Às vezes ele consegue, às vezes não. Romualdo sempre guarda uma poupança que ele mesmo fez, ele guarda numa carteira velha que uma vez ele encontrara na rua.  De todo o dinheiro que ele consegue no dia, dois reais são guardados nessa carteira. Muitas vezes a pequena poupança o livrara da fome. De tarde ele ganhava o dinheiro para comprar algo para comer a noite e o que sobrava, ele guardava. Essa era sua rotina. Nos fins de semana ele gastava uma parcela do dinheiro que ganhava na semana, para sua diversão ou para comprar uma roupa.
   Uma das “diversões” do menino, de apenas treze anos, era usar drogas para se iludir e achar que sua vida não era tão miserável quanto aparentava. Romualdo nunca havia fornicado, portanto, era virgem.
  Os “amigos” do garoto eram donos de bocas de fumo que o forçavam a consumir drogas, para garantir a proteção e a assistência que eles ofereciam. Romualdo foi incentivado a usar drogas, por um colega de sua sala. Depois que ele frequentou a boca pela primeira vez, ele não conseguiu mais parar.
   Romualdo tinha atritos com um menino de sua sala. Desde o primeiro dia de aula, eles já tiveram relações tempestuosas. Esse menino era Cláudio, outro menino sem escrúpulos e sem muita expectativa de melhora de vida.
   Romualdo admirara uma menina de sua sala chamada Aline. Aline era uma menina morena, da mesma altura que os dois garotos. Seus olhos tinham cor-de-mel.
   Um dos fatores que influenciou Cláudio a odiar Romualdo foi que, quando ele chegara à escola, Aline, a mesma que os dois gostavam, havia dado mais atenção a Romualdo do que a Cláudio, proporcionando assim, uma raiva, um ciúme e uma inveja muito grande em seu coração. Aline tinha traços rústicos, pois o trabalho chegara cedo à vida desta menina. O desejo de conseguir o coração de Aline era tão forte de ambos os garotos, que eles fariam qualquer coisa para obtê-lo.
   Romualdo era um menino quieto. Cláudio, porém, era agitado e tinha seus contatos, pois estudara na escola desde sempre e era popular. 
   Cláudio, ao contrário de Romualdo, tinha família e morava em um sobrado. Ele não trabalhava, mas ajudava seus pais no que eles precisassem. Cláudio usava drogas sem seus pais saberem. Das três personagens, Aline era a única que parecia ter alguma expectativa de vida, pois não usava drogas. A garota tinha sua mãe e um padrasto, ela trabalhava entregando panfletos e laborava com sua mãe. Aline não gostava de seu padrasto. Ela não era virgem, pois uma vez seu padrasto o abusara sexualmente.  Aline era pequena quando isso aconteceu, tinha apenas seis anos, mas ela se sente desconfortável quando seu padrasto está em casa.
   Romualdo, muitas vezes, passava horas a fio admirando a beleza de Aline e ela muitas vezes o flagrara observando-a. Após um tempo Aline começou a responder seus olhares e seus sorrisos aumentando assim a expectativa do garoto. Cláudio sentava na última carteira e, muitas vezes, percebia essa troca de olhares. Cláudio então percebeu que Romualdo poderia ser uma ameaça em sua empreitada pelo coração de Aline. Cláudio tentara por mais de três anos, conseguir o amor de Aline, no entanto, não conseguira muito avanço. Romualdo, porém, assim que chegara à escola, conheceu Aline, pois ela foi à única pessoa que lhe mostrou a escola. Aos poucos, Romualdo foi adquirindo valores.
   Conforme o tempo foi passando, Romualdo foi ficando mais amigo de Aline, os dois se falavam todos os dias. A raiva de Cláudio só aumentava. Cláudio tinha vergonha de falar com Aline.
   Romualdo, um dia, convidou Aline para ir passear com ele na praia, pois ele conhecia um trapiche que muitas vezes ele visitara nos fins de semana. Local onde muitas vezes afogara as mágoas de sua vida hostil e sofrida. Aline aceitou, os dois caminharam na areia e depois sentaram no trapiche e lá mesmo se beijaram. Foi o primeiro beijo de ambos. O beijo aconteceu em uma bela manhã de sábado. Aline olhava em seus olhos negros e ele, olhava em seus olhos cor-de-mel.
   No dia seguinte, Cláudio soube do beijo e ele não gostou nada da notícia. Cláudio, no primeiro momento, ficou boquiaberto. Quando se recuperou da notícia, começou a planejar sua vingança.
  Para chegar a sua casa, Romualdo, precisava passar por um beco sujo e mal iluminado. Certo dia, Cláudio e seus amigos abordaram Romualdo nesse beco e, ali mesmo, deram-no uma grande surra e, a pós a surra, Cláudio ameaçou Romualdo. Mandou-o sair de Salvador. E assim se fez. Romualdo até tentou pedir ajuda a seus amigos, donos de boca. Entretanto, seus "amigos” disseram que como ele havia parado de consumir as drogas deles, então, eles não poderiam ajudar na vingança de Romualdo. Sendo assim, o garoto foi obrigado a se mudar e a deixar sua paixão. Sem se despedir de Aline, Romualdo foi morar na cidade vizinha de Salvador, Lauro de Freitas. Romualdo passou a morar em baixo da ponte.
    Sete anos se passaram, Cláudio e Aline se casaram. No entanto, Aline ainda pensava em sua antiga paixão. Ela nunca imaginara que seu antigo amor ainda pensava nela, e, que estaria tão perto e tão longe ao mesmo tempo.   
Romualdo, apesar de tudo, ainda morava em Lauro de Freitas, e, não morava mais em baixo da ponte. Morava agora em uma kit net alugado. Ele trabalhava sendo um entregador de pizza. Romualdo aprendera muito nesses anos. Cláudio trabalhava de segurança de um prédio na periferia de Salvador. Aline era dona de casa. Cláudio e Aline moravam em um apartamento na periferia de Salvador.
   Certo dia, Romualdo foi entregar uma pizza em Salvador e, coincidentemente, a pizza era para Aline. Romualdo jamais imaginara que o destino o faria reencontrar a sua amada. A campainha tocou, Aline abriu a porta, e, quando deu de cara com Romualdo, ela abafou um grito e ele ficou boquiaberto. Os dois se reconheceram na hora. O mundo parou por um segundo e sem pensar duas vezes, Romualdo largou a pizza no chão, agarrou-a e deu-lhe um beijo. Pegou ela no colo e a levou para a cama. Nesse dia Cláudio havia pegado o turno da noite e só voltava às catorze horas do dia seguinte. Quando Romualdo e Aline acordaram, eles foram tomar café e Romualdo viu uma foto, em um porta-retrato, recente, de Aline e Cláudio.
    - Eu ia lhe contar...
Afirmou Aline com destreza. No mesmo instante, uma culpa, uma raiva invadiu-o. Quando ele se recuperou da notícia, quando sua raiva passou um pouco, ele respirou fundo e disse:
  - Mas por que com ele?
  - Depois que você saiu da escola, eu me aproximei dele. Claro que não foi a mesma coisa... ... Mas acabou rolando.
Afirmou ela com um sentimento de culpa.
   - Mas qual é o problema?
Perguntou ela, achando estranho. Aline não imaginara que Cláudio havia feito tanto mau para Romualdo.
  - Aline, o motivo de eu ter saído de Salvador, foi porque Cláudio e outros meninos me deram uma surra em um beco e me ameaçaram. Eles disseram que se eu chegasse perto de você novamente, eu e você correríamos risco de vida. Mandou-me sair de Salvador. Então, para não ficar muito longe de você, eu fui para Lauro de Freitas.
 - Meu deus! Mas isso é terrível...
Afirmou Aline assustada. Ela puxou uma cadeira e se sentou, estava muito nervosa. Ela olhava fixamente para um ponto no chão, olhava boquiaberta tentando acreditar no que Romualdo acabara de contar. Essa cena se fez presente por um minuto, mas pareceram horas. Romualdo, então, se agachou passou a mão esquerda no rosto de Aline e disse confortando-a.
- Calma meu amor... ...O tempo passou, mas o nosso tempo não passou.
Ela o olhou então o olhou fixamente. Ela ainda estava perplexa com a notícia que recebera. O silêncio tomou conta do lugar. O ambiente se tornara um local hostil e desagradável. Por alguns minutos esse quadro se perpetuou. Romualdo furou o silêncio perguntando:
- E agora, o que faremos?
Aline, ainda o olhando fixamente, demorou alguns minutos para responder e, quando respondeu, sua voz saiu falhada, pois ficara muito tempo sem falar, então, ela engoliu em seco e começou de novo:
- Não sei... Eu preciso pensar...
Respondeu ela, triste. Romualdo pegou o seu telefone, pois não queria perder o contato com Aline novamente, e se foi. De tarde, quando Cláudio chegou do trabalho, Aline fingiu que nada havia acontecido, pois precisava analisar a situação para saber qual rumo ela tomaria. Diante dessa situação, Aline se sentiu de olhos vendados. Igual quando se está subindo as escadas e os degraus acabam, mas você acha que tem mais um degrau, seu pé afunda no ar e um desconforto toma conta do seu corpo. Cláudio, no início achou estranho o comportamento de Aline, mas depois deduziu que ela estava apenas cansada.
  Uma semana depois, Romualdo volta à casa de Aline para saber as notícias, o que ela decidiu, se ela contou pra Cláudio, como foi sua reação, como se repercutiu, enfim, estava com saudades. Romualdo então, perguntou o que ela havia decidido e ela, respondeu sem hesitar:
 - Eu não sei o que fazer... Eu e Cláudio estamos juntos há bastante tempo. Não sei qual seria a reação do mesmo.
 - Como assim não sabe? Se não fosse por ele nós estaríamos juntos há muito tempo, juntos e felizes.
Disse ele com pressa. Romualdo colocou sua mão esquerda, de leve, no rosto de sua amada, pouco suado, pois trabalhara o dia inteiro, e disse paciente:
 - Aline, você não me ama mais?
 - Claro que eu amo!
Respondeu ela sem pensar.
 - Então porque não foge comigo? Fugimos para Lauro de Freitas, seremos felizes lá.
Sugeriu o garoto muito empolgado com a ideia.
 - Não posso fazer isso, pelo menos não agora.
Avisou a garota, o decepcionando.
 - Por quê?
Perguntou o garoto indignado.
 - Porque não! Imagina quando ele descobrir...
Informou assustada.
 - Quando ele descobrir, nós estaremos longe.
Rebateu ele, deixando-a calada e sem respostas. Quando Aline ia explicar porque não poderia fugir com ele, Romualdo lhe roubou um beijo, impedindo ela de lhe dar quais quer notícias ruins. Ele a levou para a cama e ela não resistiu.
  Romualdo e Aline foram amantes por meses, mas um dia Cláudio volta para casa mais cedo, pois descobrira que pegou o turno errado naquele dia e, quando abre a porta, ouve gemidos de Aline. Cláudio anda vagarosamente e, quando chega ao quarto do casal, se depara com Romualdo e Aline em sua cama:
 - Aline! O que é isso?
Aline o ignorou assustada.
Cláudio, muito transtornado, piscou os olhos, pois achava que seus olhos estavam lhe pregando uma peça e ele não acreditara no que via. O tempo parou para todos os três. Romualdo então se levantou bem devagar. Cláudio então saiu correndo, alimentado por uma raiva sem igual. Romualdo, porém desvia do ataque, fazendo com que Cláudio batesse na vidraça. Essa vidraça ia do chão até o teto. Cláudio não viu a vidraça, pois a cortina o enganara, e, no momento da raiva ele se esqueceu completamente da vidraça, caindo assim, do segundo andar. Aline e Romualdo se entreolharam, colocaram suas roupas e saíram quase que correndo para assisti-lo. A ambulância em instantes e logo Cláudio foi socorrido. No hospital, o médico avisou para eles que Cláudio não havia morrido, mas que poderia perder a memória. Cláudio ficou um mês no hospital. Isso foi o bastante para se recuperar, ele não havia perdido a memória. Nesse período de trinta dias, Cláudio pensou em uma vingança.                                                                                                 
    Após o tempo de recuperação, Romualdo e Aline foram buscá-lo no hospital. Chegando lá, eles perceberam que Cláudio apresentava sinais de perda de memória. A raiva de Cláudio aumentou depois que ele viu que o garoto que o traiu, voltou acompanhado de Aline, para pega-lo no hospital.
 - Que bom que ele ir para casa, a ficar no hospital. Isso é um bom sinal.
Disse o médico, contente devido à recuperação de seu paciente.
 - Ainda bem que Cláudio parece estar em perfeito estado.
Sussurrou Aline para Romualdo, mas ele não respondeu, permaneceu quieto, com os olhos voltados a Cláudio. Aline percebeu e fez o mesmo. O silêncio tomou conta.
 - Quem são vocês?
Perguntou Cláudio, interrompendo o silêncio.
 - Nós somos seus amigos. Eu sou Aline e esse é Alberto e você se chama Cláudio.
 Respondeu Aline inventando um nome falso para Romualdo. Romualdo olhou para Aline, não entendendo aonde ela queria chegar. Ela o ignorou e continuou a inventar mentiras.
 - Eu moro com Alberto em Lauro de Freitas e você mora aqui sozinho, em Salvador.
 - Nós viemos lhe fazer uma visita, mas, no fim de semana, quando estava bêbado, tropeçou e caiu da janela.  – Completou Romualdo.
Romualdo sorriu, pois gostou da ideia. Permaneceu calado, pois percebeu que Aline tinha boas ideias.
 - Mas como você está mal e precisa de ajuda, ficaremos aqui em Salvador, com você, até recuperar a memória.
Disse Aline. Cláudio achou uma boa ideia, pois poderia realizar sua vingança com rapidez e eficiência.
   Uma semana se passou e Cláudio, fingiu ser amigo de Romualdo. O plano deu certo. Aline um dia sai para fazer compras e, Romualdo fica sozinho com seu inimigo, mas ele confiava em Cláudio. Ele estava certo de que Cláudio havia perdido a memória e ele não apresentava nenhum risco a sua vida. Os dois estavam almoçando e Cláudio deixa o talher cair no chão, Romualdo, por sua vez estava mais perto de onde caíra o talher.
 - Alberto, pega o meu garfo que caiu?
Pediu Cláudio com más intenções.
Romualdo, sem pronunciar sons, se curva e pega o garfo.
Cláudio, no mesmo instante, pega uma garrafa de vidro e golpeia seu inimigo na cabeça, atordoando-o. Quando Romualdo acorda, se encontra amarrado em uma cadeira, seus braços e pernas se encontram imóveis, pois Cláudio os amarrara.
 - Seu nome não e Alberto, confesse, seja homem. Qual é o seu nome?
Gritou Cláudio controlando a situação. Romualdo permaneceu quieto, aguçando assim, a raiva de Cláudio. Transtornado, ele pega um cinto e bate nas pernas de
Romualdo. No entanto, ele permaneceu calado.
 - Qual é o seu nome? Há quanto tempo você e minha mulher me traem?
Perguntou Cláudio. Romualdo, porém não revela nada, e, sem querer, se demonstra surpreso arregalando os olhos.
 - Qual é o seu nome?
Pergunta novamente, ainda mais furioso, batendo com o cinto no chão. Demonstrando muita raiva. Antes que Romualdo respondesse, Cláudio o ameaçou:
 - Pense bem, se você não me responder dessa vez, baterei com este cinto em um lugar que doerá muito. O bom é que minha mulher perderá o interesse por você...
Romualdo estremeceu, e, com os olhos ainda arregalados, fecha as pernas.
 - Que bom que você entendeu. Responda logo, qual é o seu nome?
Perguntou Cláudio, ainda nervoso. Romualdo, porém, estava apenas tentando ganhar tempo, até Aline chegar com as compras.
 - Responda logo! Não tente ganhar tempo, Aline só chega mais tarde.
Mentiu ele, após perceber o plano de Romualdo.
- Anda, Responda logo!
Disse Cláudio, impaciente, batendo com seu cinto novamente, nas pernas de seu inimigo.
 - Romualdo...
Respondeu ele, triste por se encontrar nessa situação. Cláudio, preparado para goleá-lo mais uma vez, cancela o ataque e deixa o cinto cair ao chão, pois ficara perplexo com a notícia que recebera. Por alguns minutos, o silêncio tomou conta do ambiente.
 - Então, após sete anos, você voltou. Pensei que você tinha morrido, pensei que eu tinha me livrado de você. Como me encontrou?
Disse Cláudio se recompondo. Ainda estava incomodado com a notícia. Romualdo, explicou para Cláudio tudo o que acontecera nesses anos, dificuldades, conquistas, e, como havia reencontrado Aline. Cláudio permaneceu boquiaberto, enquanto ele contava as peripécias. A raiva de Cláudio havia passado, pois havia reencontrado um velho colega, que, apesar de suas diferenças para com ele, não deixa de ser interessante. Cláudio também percebera que Romualdo passou muitas dificuldades, e que ambas as histórias, eram semelhantes. Enquanto contava, Romualdo foi interrompido por Aline que chegava com as compras. Aline abriu a porta e viu Romualdo amarrado e disse:
 - O que é isso?
Cláudio, no mesmo instante, pegou seu cinto, puxou a cadeira onde Romualdo estava, para perto de si, e o levou, vagarosamente, para perto da vidraça.
 - Se der mais um passo, seu amante, Romualdo, morre.
Cláudio ameaçou Aline. Ela engoliu em seco e procurou manter a calma. Cláudio parecia fora de si, mas um passo em falso o condenou. Cláudio caiu novamente da janela, porém, dessa vez ele caiu de cabeça e morreu na hora. Aline e Romualdo arregalaram os olhos, e ela se aproximou da janela para ver como Cláudio se encontrava. Ele estava deitado, imóvel, sua cabeça não parava de sangrar. O silêncio predominou por alguns minutos e foi furado por Romualdo:
 - Aline, me desamarre.
Ordenou ele, aliviado e fraco. Aline, porém, permaneceu estática.
  No outro dia, Romualdo e Aline foram ao enterro de Cláudio. Aline chorou muito e estava irrequieta. Romualdo tentou acalmá-la, mas Aline, querendo ou não, tinha uma estória com Cláudio, uma estória que, de certa forma, não poderia ser ignorada e, nem mesmo, apagada.
  Naquele mesmo dia, Aline e Romualdo, arrumaram suas malas e se mudaram para Lauro de Freitas. Depois do enterro, poucas palavras foram ditas.
  Duas semanas depois do incidente, Aline superou a morte do falecido Cláudio.
  Os dois se casaram e quando Aline completou vinte e três anos, os dois se casaram não só no papel, mas sim, como uma união perpétua, pois Aline estava grávida de gêmeos. Os dois filhos representaram para eles, uma vida nova e promissora.

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