Vozes sem Rumo
A rua, é o palco de sua vida, é a sua
casa. Não deveria ser, mas já, que o destino o submeteu a viver essa história,
ele precisa aceitar e continuar. A estória situa-se nas ruelas de
Salvador, Bahia. A personagem principal é Romualdo, um menino pobre, sem
família, sem escrúpulos, sem muita expectativa de vida. Romualdo tem treze anos
e é moreno, estatura de mais ou menos um metro e meio, olhos negros como a
noite. Romualdo estuda numa escola pública de Salvador e só
vai à escola porque ela fica perto de sua casa, aproximadamente quatrocentos
metros. Ele mora na rua, numa casa abandonada que antes era de um senhorzinho
que morrera há dois anos. Sua casa é toda despedaçada, as paredes, que
são de madeira, estão podres e os cupins ajudaram a destruí-la. Quem olha
de fora não vê isso como uma casa. Ele praticamente mora na rua, a diferença é
que ele tem proteção contra a chuva. Romualdo ganha a vida pedindo
dinheiro nas sinaleiras. Ele consegue mais ou menos vinte reais por dia e
consegue uma pequena ajuda do governo. Romualdo é um menino determinado e
esperto, mas, como dito antes, ele não tem muita expectativa de melhora de
vida. A rotina dele se baseia em ir para a escola de manhã, voltar, parar
na sinaleira e pedir seu dinheiro do almoço. Às vezes ele consegue, às vezes
não. Romualdo sempre guarda uma poupança que ele mesmo fez, ele guarda numa
carteira velha que uma vez ele encontrara na rua. De todo o dinheiro que ele consegue no
dia, dois reais são guardados nessa carteira. Muitas vezes a pequena poupança o
livrara da fome. De tarde ele ganhava o dinheiro para comprar algo para comer a
noite e o que sobrava, ele guardava. Essa era sua rotina. Nos fins de semana
ele gastava uma parcela do dinheiro que ganhava na semana, para sua diversão ou
para comprar uma roupa.
Uma das “diversões” do
menino, de apenas treze anos, era usar drogas para se iludir e achar que sua
vida não era tão miserável quanto aparentava. Romualdo nunca havia fornicado,
portanto, era virgem.
Os “amigos” do garoto eram donos de bocas de fumo que o
forçavam a consumir drogas, para garantir a proteção e a assistência que eles
ofereciam. Romualdo foi incentivado a usar drogas, por um colega de sua sala.
Depois que ele frequentou a boca pela primeira vez, ele não conseguiu mais
parar.
Romualdo tinha atritos com um menino de sua sala.
Desde o primeiro dia de aula, eles já tiveram relações tempestuosas. Esse
menino era Cláudio, outro menino sem escrúpulos e sem muita expectativa de
melhora de vida.
Romualdo admirara uma menina de sua sala chamada
Aline. Aline era uma menina morena, da mesma altura que os dois garotos. Seus
olhos tinham cor-de-mel.
Um dos fatores que influenciou Cláudio a odiar
Romualdo foi que, quando ele chegara à escola, Aline, a mesma que os dois
gostavam, havia dado mais atenção a Romualdo do que a Cláudio, proporcionando
assim, uma raiva, um ciúme e uma inveja muito grande em seu coração. Aline
tinha traços rústicos, pois o trabalho chegara cedo à vida desta menina. O
desejo de conseguir o coração de Aline era tão forte de ambos os garotos, que
eles fariam qualquer coisa para obtê-lo.
Romualdo era um menino quieto. Cláudio, porém, era
agitado e tinha seus contatos, pois estudara na escola desde sempre e era
popular.
Cláudio, ao contrário de Romualdo, tinha família e
morava em um sobrado. Ele não trabalhava, mas ajudava seus pais no que eles
precisassem. Cláudio usava drogas sem seus pais saberem. Das três personagens,
Aline era a única que parecia ter alguma expectativa de vida, pois não usava
drogas. A garota tinha sua mãe e um padrasto, ela trabalhava entregando
panfletos e laborava com sua mãe. Aline não gostava de seu padrasto. Ela não era
virgem, pois uma vez seu padrasto o abusara sexualmente. Aline era
pequena quando isso aconteceu, tinha apenas seis anos, mas ela se sente
desconfortável quando seu padrasto está em casa.
Romualdo, muitas vezes, passava horas a fio admirando
a beleza de Aline e ela muitas vezes o flagrara observando-a. Após um tempo
Aline começou a responder seus olhares e seus sorrisos aumentando assim a
expectativa do garoto. Cláudio sentava na última carteira e, muitas vezes,
percebia essa troca de olhares. Cláudio então percebeu que Romualdo poderia ser
uma ameaça em sua empreitada pelo coração de Aline. Cláudio tentara por mais de
três anos, conseguir o amor de Aline, no entanto, não conseguira muito avanço.
Romualdo, porém, assim que chegara à escola, conheceu Aline, pois ela foi à
única pessoa que lhe mostrou a escola. Aos poucos, Romualdo foi adquirindo
valores.
Conforme o tempo foi passando, Romualdo foi ficando
mais amigo de Aline, os dois se falavam todos os dias. A raiva de Cláudio só
aumentava. Cláudio tinha vergonha de falar com Aline.
Romualdo, um dia, convidou Aline para ir passear com
ele na praia, pois ele conhecia um trapiche que muitas vezes ele visitara nos
fins de semana. Local onde muitas vezes afogara as mágoas de sua vida hostil e
sofrida. Aline aceitou, os dois caminharam na areia e depois sentaram no
trapiche e lá mesmo se beijaram. Foi o primeiro beijo de ambos. O beijo
aconteceu em uma bela manhã de sábado. Aline olhava em seus olhos negros e ele,
olhava em seus olhos cor-de-mel.
No dia seguinte, Cláudio soube do beijo e ele não
gostou nada da notícia. Cláudio, no primeiro momento, ficou boquiaberto. Quando
se recuperou da notícia, começou a planejar sua vingança.
Para chegar a sua casa, Romualdo, precisava passar por um
beco sujo e mal iluminado. Certo dia, Cláudio e seus amigos abordaram Romualdo
nesse beco e, ali mesmo, deram-no uma grande surra e, a pós a surra, Cláudio
ameaçou Romualdo. Mandou-o sair de Salvador. E assim se fez. Romualdo até
tentou pedir ajuda a seus amigos, donos de boca. Entretanto, seus "amigos”
disseram que como ele havia parado de consumir as drogas deles, então, eles não
poderiam ajudar na vingança de Romualdo. Sendo assim, o garoto foi obrigado a
se mudar e a deixar sua paixão. Sem se despedir de Aline, Romualdo foi
morar na cidade vizinha de Salvador, Lauro de Freitas. Romualdo passou a morar
em baixo da ponte.
Sete anos se passaram, Cláudio e Aline se
casaram. No entanto, Aline ainda pensava em sua antiga paixão. Ela nunca
imaginara que seu antigo amor ainda pensava nela, e, que estaria tão perto e
tão longe ao mesmo tempo.
Romualdo, apesar de tudo, ainda morava em Lauro de Freitas, e, não
morava mais em baixo da ponte. Morava agora em uma kit net alugado. Ele trabalhava sendo um
entregador de pizza. Romualdo aprendera muito nesses anos. Cláudio trabalhava
de segurança de um prédio na periferia de Salvador. Aline era dona de casa.
Cláudio e Aline moravam em um apartamento na periferia de Salvador.
Certo dia, Romualdo foi entregar uma pizza em Salvador
e, coincidentemente, a pizza era para Aline. Romualdo jamais imaginara que o
destino o faria reencontrar a sua amada. A campainha tocou, Aline abriu a
porta, e, quando deu de cara com Romualdo, ela abafou um grito e ele ficou
boquiaberto. Os dois se reconheceram na hora. O mundo parou por um segundo e
sem pensar duas vezes, Romualdo largou a pizza no chão, agarrou-a e deu-lhe um
beijo. Pegou ela no colo e a levou para a cama. Nesse dia Cláudio havia pegado
o turno da noite e só voltava às catorze horas do dia seguinte. Quando Romualdo
e Aline acordaram, eles foram tomar café e Romualdo viu uma foto, em um
porta-retrato, recente, de Aline e Cláudio.
- Eu ia lhe contar...
Afirmou Aline com destreza. No mesmo instante, uma culpa, uma
raiva invadiu-o. Quando ele se recuperou da notícia, quando sua raiva passou um
pouco, ele respirou fundo e disse:
- Mas por que com ele?
- Depois que você saiu da escola, eu me aproximei dele.
Claro que não foi a mesma coisa... ... Mas acabou rolando.
Afirmou ela com um sentimento de culpa.
- Mas qual é o problema?
Perguntou ela, achando estranho. Aline não imaginara que Cláudio
havia feito tanto mau para Romualdo.
- Aline, o motivo de eu ter saído de Salvador, foi
porque Cláudio e outros meninos me deram uma surra em um beco e me ameaçaram.
Eles disseram que se eu chegasse perto de você novamente, eu e você correríamos
risco de vida. Mandou-me sair de Salvador. Então, para não ficar muito longe de
você, eu fui para Lauro de Freitas.
- Meu deus! Mas isso é terrível...
Afirmou Aline assustada. Ela puxou uma cadeira e se sentou, estava
muito nervosa. Ela olhava fixamente para um ponto no chão, olhava boquiaberta
tentando acreditar no que Romualdo acabara de contar. Essa cena se fez presente
por um minuto, mas pareceram horas. Romualdo, então, se agachou passou a mão
esquerda no rosto de Aline e disse confortando-a.
- Calma meu amor... ...O tempo passou, mas o nosso tempo não
passou.
Ela o olhou então o olhou fixamente. Ela ainda estava perplexa com
a notícia que recebera. O silêncio tomou conta do lugar. O ambiente se tornara
um local hostil e desagradável. Por alguns minutos esse quadro se perpetuou.
Romualdo furou o silêncio perguntando:
- E agora, o que faremos?
Aline, ainda o olhando fixamente, demorou alguns minutos para
responder e, quando respondeu, sua voz saiu falhada, pois ficara muito tempo
sem falar, então, ela engoliu em seco e começou de novo:
- Não sei... Eu preciso pensar...
Respondeu ela, triste. Romualdo pegou o seu telefone, pois não
queria perder o contato com Aline novamente, e se foi. De tarde, quando Cláudio
chegou do trabalho, Aline fingiu que nada havia acontecido, pois precisava
analisar a situação para saber qual rumo ela tomaria. Diante dessa situação,
Aline se sentiu de olhos vendados. Igual quando se está subindo as escadas e os
degraus acabam, mas você acha que tem mais um degrau, seu pé afunda no ar e um
desconforto toma conta do seu corpo. Cláudio, no início achou estranho o
comportamento de Aline, mas depois deduziu que ela estava apenas cansada.
Uma semana depois, Romualdo volta à casa de Aline para
saber as notícias, o que ela decidiu, se ela contou pra Cláudio, como foi sua
reação, como se repercutiu, enfim, estava com saudades. Romualdo então,
perguntou o que ela havia decidido e ela, respondeu sem hesitar:
- Eu não sei o que fazer... Eu e Cláudio estamos juntos há
bastante tempo. Não sei qual seria a reação do mesmo.
- Como assim não sabe? Se não fosse por ele nós estaríamos
juntos há muito tempo, juntos e felizes.
Disse ele com pressa. Romualdo colocou sua mão esquerda, de leve,
no rosto de sua amada, pouco suado, pois trabalhara o dia inteiro, e disse
paciente:
- Aline, você não me ama mais?
- Claro que eu amo!
Respondeu ela sem pensar.
- Então porque não foge comigo? Fugimos para Lauro de
Freitas, seremos felizes lá.
Sugeriu o garoto muito empolgado com a ideia.
- Não posso fazer isso, pelo menos não agora.
Avisou a garota, o decepcionando.
- Por quê?
Perguntou o garoto indignado.
- Porque não! Imagina
quando ele descobrir...
Informou
assustada.
- Quando ele descobrir, nós estaremos longe.
Rebateu ele,
deixando-a calada e sem respostas. Quando Aline ia explicar porque não poderia
fugir com ele, Romualdo lhe roubou um beijo, impedindo ela de lhe dar quais
quer notícias ruins. Ele a levou para a cama e ela não resistiu.
Romualdo e Aline foram amantes por meses, mas
um dia Cláudio volta para casa mais cedo, pois descobrira que pegou o turno
errado naquele dia e, quando abre a porta, ouve gemidos de Aline. Cláudio anda vagarosamente
e, quando chega ao quarto do casal, se depara com Romualdo e Aline em sua cama:
- Aline! O que é isso?
Aline o
ignorou assustada.
Cláudio,
muito transtornado, piscou os olhos, pois achava que seus olhos estavam lhe
pregando uma peça e ele não acreditara no que via. O tempo parou para todos os três.
Romualdo então se levantou bem devagar. Cláudio então saiu correndo, alimentado
por uma raiva sem igual. Romualdo, porém desvia do ataque, fazendo com que
Cláudio batesse na vidraça. Essa vidraça ia do chão até o teto. Cláudio não viu
a vidraça, pois a cortina o enganara, e, no momento da raiva ele se esqueceu
completamente da vidraça, caindo assim, do segundo andar. Aline e Romualdo se
entreolharam, colocaram suas roupas e saíram quase que correndo para assisti-lo.
A ambulância em instantes e logo Cláudio foi socorrido. No hospital, o médico
avisou para eles que Cláudio não havia morrido, mas que poderia perder a
memória. Cláudio ficou um mês no hospital. Isso foi o bastante para se
recuperar, ele não havia perdido a memória. Nesse período de trinta dias,
Cláudio pensou em uma vingança.
Após o tempo de recuperação, Romualdo e
Aline foram buscá-lo no hospital. Chegando lá, eles perceberam que Cláudio
apresentava sinais de perda de memória. A raiva de Cláudio aumentou depois que
ele viu que o garoto que o traiu, voltou acompanhado de Aline, para pega-lo no
hospital.
- Que bom que ele ir para casa, a ficar no
hospital. Isso é um bom sinal.
Disse o
médico, contente devido à recuperação de seu paciente.
- Ainda bem que Cláudio parece estar em
perfeito estado.
Sussurrou
Aline para Romualdo, mas ele não respondeu, permaneceu quieto, com os olhos voltados
a Cláudio. Aline percebeu e fez o mesmo. O silêncio tomou conta.
- Quem são vocês?
Perguntou
Cláudio, interrompendo o silêncio.
- Nós somos seus amigos. Eu sou Aline e esse é
Alberto e você se chama Cláudio.
Respondeu Aline inventando um nome falso para
Romualdo. Romualdo olhou para Aline, não entendendo aonde ela queria chegar. Ela
o ignorou e continuou a inventar mentiras.
- Eu moro com Alberto em Lauro de Freitas e
você mora aqui sozinho, em Salvador.
- Nós viemos lhe fazer uma visita, mas, no fim
de semana, quando estava bêbado, tropeçou e caiu da janela. – Completou Romualdo.
Romualdo
sorriu, pois gostou da ideia. Permaneceu calado, pois percebeu que Aline tinha
boas ideias.
- Mas como você está mal e precisa de ajuda, ficaremos
aqui em Salvador, com você, até recuperar a memória.
Disse Aline.
Cláudio achou uma boa ideia, pois poderia realizar sua vingança com rapidez e
eficiência.
Uma semana se passou e Cláudio, fingiu ser
amigo de Romualdo. O plano deu certo. Aline um dia sai para fazer compras e,
Romualdo fica sozinho com seu inimigo, mas ele confiava em Cláudio. Ele estava
certo de que Cláudio havia perdido a memória e ele não apresentava nenhum risco
a sua vida. Os dois estavam almoçando e Cláudio deixa o talher cair no chão, Romualdo,
por sua vez estava mais perto de onde caíra o talher.
- Alberto, pega o meu garfo que caiu?
Pediu
Cláudio com más intenções.
Romualdo,
sem pronunciar sons, se curva e pega o garfo.
Cláudio, no
mesmo instante, pega uma garrafa de vidro e golpeia seu inimigo na cabeça, atordoando-o.
Quando Romualdo acorda, se encontra amarrado em uma cadeira, seus braços e
pernas se encontram imóveis, pois Cláudio os amarrara.
- Seu nome não e Alberto, confesse, seja
homem. Qual é o seu nome?
Gritou
Cláudio controlando a situação. Romualdo permaneceu quieto, aguçando assim, a
raiva de Cláudio. Transtornado, ele pega um cinto e bate nas pernas de
Romualdo. No entanto, ele permaneceu calado.
Romualdo. No entanto, ele permaneceu calado.
- Qual é o seu nome? Há quanto tempo você e
minha mulher me traem?
Perguntou
Cláudio. Romualdo, porém não revela nada, e, sem querer, se demonstra surpreso
arregalando os olhos.
- Qual é o seu nome?
Pergunta
novamente, ainda mais furioso, batendo com o cinto no chão. Demonstrando muita
raiva. Antes que Romualdo respondesse, Cláudio o ameaçou:
- Pense bem, se você não me responder dessa
vez, baterei com este cinto em um lugar que doerá muito. O bom é que minha
mulher perderá o interesse por você...
Romualdo
estremeceu, e, com os olhos ainda arregalados, fecha as pernas.
- Que bom que você entendeu. Responda logo,
qual é o seu nome?
Perguntou
Cláudio, ainda nervoso. Romualdo, porém, estava apenas tentando ganhar tempo,
até Aline chegar com as compras.
- Responda logo! Não tente ganhar tempo, Aline
só chega mais tarde.
Mentiu ele,
após perceber o plano de Romualdo.
- Anda,
Responda logo!
Disse
Cláudio, impaciente, batendo com seu cinto novamente, nas pernas de seu
inimigo.
- Romualdo...
Respondeu
ele, triste por se encontrar nessa situação. Cláudio, preparado para goleá-lo
mais uma vez, cancela o ataque e deixa o cinto cair ao chão, pois ficara
perplexo com a notícia que recebera. Por alguns minutos, o silêncio tomou conta
do ambiente.
- Então, após sete anos, você voltou. Pensei
que você tinha morrido, pensei que eu tinha me livrado de você. Como me
encontrou?
Disse Cláudio
se recompondo. Ainda estava incomodado com a notícia. Romualdo, explicou para
Cláudio tudo o que acontecera nesses anos, dificuldades, conquistas, e, como
havia reencontrado Aline. Cláudio permaneceu boquiaberto, enquanto ele contava
as peripécias. A raiva de Cláudio havia passado, pois havia reencontrado um
velho colega, que, apesar de suas diferenças para com ele, não deixa de ser
interessante. Cláudio também percebera que Romualdo passou muitas dificuldades,
e que ambas as histórias, eram semelhantes. Enquanto contava, Romualdo foi
interrompido por Aline que chegava com as compras. Aline abriu a porta e viu
Romualdo amarrado e disse:
- O que é isso?
Cláudio, no
mesmo instante, pegou seu cinto, puxou a cadeira onde Romualdo estava, para
perto de si, e o levou, vagarosamente, para perto da vidraça.
- Se der mais um passo, seu amante, Romualdo,
morre.
Cláudio ameaçou
Aline. Ela engoliu em seco e procurou manter a calma. Cláudio parecia fora de
si, mas um passo em falso o condenou. Cláudio caiu novamente da janela, porém,
dessa vez ele caiu de cabeça e morreu na hora. Aline e Romualdo arregalaram os
olhos, e ela se aproximou da janela para ver como Cláudio se encontrava. Ele
estava deitado, imóvel, sua cabeça não parava de sangrar. O silêncio predominou
por alguns minutos e foi furado por Romualdo:
- Aline, me desamarre.
Ordenou ele,
aliviado e fraco. Aline, porém, permaneceu estática.
No outro dia, Romualdo e Aline foram ao
enterro de Cláudio. Aline chorou muito e estava irrequieta. Romualdo tentou
acalmá-la, mas Aline, querendo ou não, tinha uma estória com Cláudio, uma
estória que, de certa forma, não poderia ser ignorada e, nem mesmo, apagada.
Naquele mesmo dia, Aline e Romualdo,
arrumaram suas malas e se mudaram para Lauro de Freitas. Depois do enterro,
poucas palavras foram ditas.
Duas
semanas depois do incidente, Aline superou a morte do falecido Cláudio.
Os dois se casaram e quando Aline completou
vinte e três anos, os dois se casaram não só no papel, mas sim, como uma união
perpétua, pois Aline estava grávida de gêmeos. Os dois filhos representaram
para eles, uma vida nova e promissora.
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